AVIÃO INVISÍVEL - A TECNOLOGIA FURTIVA BRASILEIRA

O Centro Técnico Aeroespacial (CTA) desenvolve tecnologia de materiais absorvedores de radiação eletromagnética (MARE), que deixam aeronaves de combate ou ataque "invisíveis" ao sinal de radares inimigos. Considerada restrita, a tecnologia que envolve esse tipo de material é dominada hoje por poucos países, com destaque para os Estados Unidos, que já investiu perto de US$ 40 bilhões em projetos que envolvem o conceito "stealth" (secreto ou furtivo, em português). O objetivo do projeto MARE é atingir o domínio da tecnologia de fabricação desses materiais e aplicá-la em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

Para despistar os radares, os aviões invisíveis utilizam vários materiais, entre eles uma pintura especial que absorve o sinal do radar em grande abrangência de espectro. Os aviões também são projetados com uma geometria diferenciada, principalmente nas asas e junções da fuselagem, partes mais suscetíveis ao sinal do radar. O conceito "stealth" pode ser aplicado ainda em mísseis, aeronaves não tripuladas, navios e tudo o que estiver exposto ao alcance dos radares inimigos. 

No período de 12 a 28 de abril de 2004, foi testada em campo com sucesso, o emprego do MARE em alvos complexos, utilizando veículos de combate terrestre (“EE-9 Cascavel”, do Exército Brasileiro) e aéreo (“Xavante”, do Comando da Aeronáutica), e o radar FILA (também do Exército).

O MARE do CTA é efetiva acima de 2GHz e não impede detecção por radares de 500MHz mais antigos. Mesmo assim é eficaz contra 80-90% dos radares atuais que operam geralmente de 8 a 12 GHZ (Banda I/J da OTAN). O MARE pode diminuir o RCS em até 10dB por metro quadrado ou o suficiente para dividir pela metade o alcance de detecção. 

Para se ter uma idéia da aplicação desse material em aviões de combate. Num oferecimento de "upgrade" para os Mig-21 indianos pela Rússia. O emprego puro e simples de "RAM" na fuselagem de um Mig-21 sem qualquer alteração na geometria da aeronave, demonstrou uma eficiência em 50% na redução da sua assinatura ao radar, metade da distância em que seria normalmente detectado.