BR SARA, A PRIMEIRA NAVE ESPACIAL BRASILEIRA

Um grupo de cientistas brasileiros trabalha no desenvolvimento do projeto SARA — Satélite de Reentrada Atmosférica, uma nave espacial recuperável não tripulada, capaz de enviar ao espaço experimentos científicos e industriais, como também trazê-los de volta a terra em dez dias, por um custo muito mais baixo do que os cobrados pela NASA e indevidamente pagos pelo Brasil.

Essa  tecnologia é restrita a poucos países, e estratégica para a realização de pesquisas de ponta no espaço. Ao todo, foram 9 anos de árduo trabalho para desenvolver e projetar esse sistema juntamente com o de proteção térmica. Se não possuísse um sistema desses, a nave SARA seria destruída ao reentrar na atmosfera terrestre, devido a altíssima velocidade e temperatura atingidas no trajeto de retorno, razão porque a proteção térmica é tão importante para garantir a integridade dos veículos espaciais. Esta tecnologia é um fator considerado tão estratégico para os países que, quem a detém não vende, não troca e nem faz negócio.

A nave proposta, designada por SARA, representa uma alternativa promissora em relação aos sistemas ora existentes, os quais tem um custo peso/hora de carga útil muito alto. É de concepção do tipo retorna e recupera, inovadora e realista, para os usuários de experimentos científicos e tecnológicos de pequeno porte, e para os propósitos e domínio tecnológico das instituições participantes. É definida como uma nave de pequenas dimensões, medindo 1m x 1,7m e peso de 250 kg, operando em órbita baixa, com capacidade para transportar experimentos científicos ou tecnológicos, de microgravidade, de pequeno porte, com permanência de até 10 dias em órbita, a cerca de 300 km de altitude, sendo posteriormente conduzida à Terra, recuperada em solo e reutilizada.

O baixo custo é outra grande vantagem que o projeto SARA oferece ao País. Os preços pagos por uma operação no espaço são cobrados pelo tempo de utilização do veículo e pelo peso da carga transportada. Comparativamente, a carga lançada por um foguete de sondagem custa cerca de 10 mil dólares por quilograma/hora. Pois o SARA poderá operar cobrando aproximadamente mil dólares por quilograma.

No desenvolvimento de uma versão sub-orbital do SARA, a qual tem por objetivo a realização de ensaios em vôo, o lançamento dessa versão será feita a partir da base aeroespacial de Alcântara com o veículo VS-40 e o da versão operacional com um VLS-01 ou um VLM —Veículo Lançador de Micro satélites.


Em 2 de abril de 1993 foi lançado,com sucesso, o veículo VS-40 para realizar teste do quarto estágio do VLS em ambiente de vácuo, além de outros experimentos de interesse do projeto VLS. Esse veículo tornou-se necessário pela ausência, no país, de instalações de ensaios capazes de simular as condições de vácuo em altitude. Essas instalações, extremamente complexas e onerosas, seriam de difícil contratação no exterior, devido ao alto risco que acarretariam seu uso, considerando-se ser um desenvolvimento novo e, portanto, de baixa confiabilidade. O veículo atingiu o apogeu de 950 km e um alcance de 2.680 km.

O SARA se tornará uma alternativa inovadora entre os instrumentos de pequeno porte para o envio de experimentos em microgravidade, uma vez que poderá ser reutilizado — ao contrário dos foguetes de sondagem, e levará peso máximo de 55kg de carga-útil por até 10 dias em gravidade zero.

A exposição de determinados produtos à imponderabilidade, vácuo profundo, juntamente com as reservas de energia solar inúmeras vezes maior, encontradas no espaço adjacente à Terra, favorece, entre outras aplicações, por exemplo, ao desenvolvimento de sais medicamentosos com maior homogeneidade na sua composição, portanto, um medicamento com qualidade superior. O SARA vem de encontro ao objetivo de oferecer meios de baixo custo de acesso ao espaço para a comunidade científica dos países que não são potências econômicas e políticas.

Enquanto nossos cientistas trabalhavam arduamente. A administração FHC se dedicava a esterilizar mais de 120 milhões de reais em verbas do nosso programa espacial próprio, transferindo ilegalmente estes recursos para o programa espacial ianque, através do ilegal acordo denominado “Ajuste Complementar“ AEB/ NASA. O “ajuste“ inclusive não foi aprovado pelo Congresso Nacional, em razão do suposto direito de cientistas brasileiros, no futuro, usarem o ambiente de microgravidade da cambaleante Estação Espacial Internacional ianque.

Ronaldo Schlichting, administrador de empresas e membro da Liga da Defesa Nacional.