O BRASIL POLAR
A navegação do Atlântico Sul atraiu os portugueses nos séculos XV e XVI. Os mapas de Piri Reis e Antônio Sanches apresentam contornos bem significativos da Antártica; desaparecidos de Portugal, esses trabalhos cartográficos podem hoje ser consultados, respectivamente, na Biblioteca do Congresso em Washington e no Museu Britânico de Londres.
Em 1501 D. Manuel mandou vir explorar a costa do Brasil, dela se tem farta notícia através de Américo Vespúcio. Participando da expedição, escreveu a Pietro Lorenzo de Médici a carta intitulada Mundus Novus, na qual afirmava haver chegado com os portugueses "até o pólo Antártico, 50 graus mais alto que o horizonte daqueles povos."
Em 1950, Therezinha de Castro defende sua tese de incorporação de um setor da Antártica ao Brasil. Therezinha, foi uma das poucas vozes pioneiras e entre elas a mais insistente, sobre a necessidade do Brasil instalar uma base na Antártica, tendo em vista a prospectiva de sua importância estratégica num futuro próximo, em função de sua posição de defrontação com todo o Hemisfério Sul do planeta e por suas imensa reservas minerais e de água. Therezinha de Castro reivindicava que o Brasil participasse territorialmente da comunidade antártica defendendo o seu direito pelo princípio de defrontação, princípio que já fora aplicado no caso dos direitos territoriais no Ártico. Viu a sua pregação realizar-se, quando em 1983, o Brasil instalou a Estação Comandante Ferraz, comandada pela Marinha, na ilha Rei George, do arquipélago Shetlands.

Em 1970 o deputado Eurípedes Cardoso de Menezes defendeu na câmara dos deputados segundo o critério da “projeção geográfica” o direito do Brasil ao território compreendido entre os meridianos que passam pela ilha Martim Vaz e pelo Arroio Chuí.
Nos meados de 1971, juristas, cientistas e professores universitários apoiaram um setor da Antártida ao território brasileiro. De acordo com os princípios de defrontação (ou continuidade territorial) os meridianos, abaixo dos países, pertencem aos países, pertencem ao país até o pólo sul. Desta maneira pretende-se a parte entre os meridianos 28o 51’ (meridiano das Ilhas Martins Vaz) até o de 53o 22’ (meridiano do arroio chuí) até o pólo sul;

A reivindicação do Brasil segundo esses critérios, entra em choque com as pretensões da Argentina e da Inglaterra.
A Inglaterra em 1917 declarou a soberania sobre as ilhas e terras entre 20o e 50o de longitude oeste e abaixo do paralelo 50o de latitude sul, dando origem ao que os ingleses chamavam de “Território antártico britânico”, baseado segundo os critérios de “proximidade geográfica”(sob argumento de suas colônias insulares, as Malvinas e as ilhas Geórgia do sul), posses contestáveis.... portanto nulas. A posição inglesa só se explica pelo cinismo do decadente império britânico que parece ainda pensar ser o umbigo do mundo.
No que toca a Argentina a questão toma contornos que devem ser melhor ponderadas e analisadas. A reivindicação argentina se vale dos critérios da Proximidade Geográfica, do Tratado de Tordesilhas, e da Projeção geográfica, mesmo critérios utilizados pelo Brasil.
Contudo somos da corrente que defende uma maior área pertencente ao Brasil. O Fato do Tratado de Tordesilhas ser anterior a todos os outros critérios utilizados e o único efetivamente que vigorou à época. Faz com que a linha de Tordesilhas que se situa em torno do paralelo 50o latitude sul desça e faça um angulo de 90o, linha essa que sairia no paralelo 40o oeste da latitude sul conforme mostra o mapa abaixo: