DESCOBRIMENTO DO BRASIL

E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pois o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!

E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos... ...Seus corpos são tão formosos que não podem ser mais. enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus.

A terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos -- terra que nos parecia muito extensa.

Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho.  Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

Pero Vaz de Caminha.

A Carta de Caminha, foi o primeiro registro geográfico, etnográfico e histórico da terra recém descoberta, a certidão de batismo e nascimento do Brasil pelos portugueses, que transpondo o abismo oceânico povoado de monstros...  houveram vista de um novo mundo que amanhecia depois da noite medieval. Antes somente imaginada nos contos célticos de uma ilha mitológica onde “...não há calor nem frio excessivos, tristeza, fome ou sede...”, a ilha “Brazil”, que se tornava invisível ao ser tomada por uma súbita bruma sempre que os marujos se aproximavam dela.

Hoje esta em volga dizer que o Brasil não foi descoberto, e sim invadido... esse tipo de raciocinio só pode ser aplicado diante dos Maias, Astecas e Incas, já organizados em Estados, e que mantinham soberania sob determinadas áreas. Antes da chegada dos portugueses não existia Brasil. E nem havia na visão do indígena uma idéia de pátria ou de país. Assim é que os brasileiros e o Brasil só passam a existir pós chegada dos portugueses. Simplesmente pq antes não existia brasileiros.

Segunda as teorias mais recentes. O Descobrimento do Brasil não teria sido acidental, nem de forma consciente para se tomar posse da terra, na verdade teria sido uma deliberalidade pessoal de Cabral para constatar se de fato haveria terras para oeste afim de repetir o feito de Colombo.

Na tese de descobrimento intencional, fala-se muito na demarcação da linha do Tratado de Tordesilhas como evidência da ciência de Portugal de terras ao oeste. Em verdade a explicação para a transferência da linha de Tordesilhas mais para o oeste seria impedir que Castelha fizesse a rota de contorno da África e assim afasta-los do comércio das índias, uma vez q essa linha tornava a rota de contorno mais distante da áfrica, sem nem um entreposto comercial para Castelha na rota para as índias e isso inviabilizaria o comércio de Castelha para as Índias. Castelha aceitou pq os imbecis acreditavam q haviam chegado as índias com colombo, os portugueses sabedores que Colombo não tinha chegado as índias coisissíma nenhuma tratou de garantir o monópolio de sua rota já consagrada.

Outro fato que reforça isso, é que quando se ia tomar posse de alguma terra se levava Marcos Demarcatórios, e a esquadra Cabral não levava nenhum único marco!


A tese atualmente mais aceita seria que Pedro Álvares Cabral se afastou mais do que o recomendado da sua rota original, propositalmente. Por que anteriormente Vasco Da Gama lhe relatara que em sua volta das Índias havia observado indícios de que havia terra ao oeste. Tomado por essas supeitas, e afim de repetir o feito de Colombo, Cabral deliberadamente se afastou e foi dar em Porto Seguro.


Outro fato q também atesta essa tese é a pouca importância que o Rei português deu a descoberta, ficando o Brasil abandonado durante 30 anos, o que não é pouca coisa. Tendo inclusive repreendido Cabral, relegando ao mais profundo obscurantismo.

Há hoje também outras teses, que dizem que o Brasil antes mesmo de Cabral já teria sido descoberto por Vicente Pinzon que teria aportado na enseada do Mucuripe em Fortaleza.

O almirante Max Guedes, historiador, dono de uma raríssima biblioteca com mais de 7 mil publicações sobre assuntos náuticos e históricos dos descobrimentos registrados no final do Séc. XV. Pesquizou durante 50 anos sobre o assunto, até concluir com absoluta convicção que o Cabo se trata da Ponta do Mucuripe.

Max Guedes refez milimetricamente a rota de Vicente Pinzón, desde a ilha de Santiago, no Cabo Verde até tocar a Ponta do Mucuripe, em uma viagem de 540 léguas, realizada em 13 dias, a uma velocidade de 5,5 nós. Depois como contraprova, fez a superposição do mapa de Juan de La cosa, de 1501, sobre uma atual carta da costa brasileira. E observou que "o cabo assinalado por Juan de la Cosa como sendo descoberto por Pinzón praticamente coincidiu com a Ponta do Mucuripe em Fortaleza".

Os documentos históricos parecem muito contundentes e apontam de fato para essa presença de Pinzon antes de Cabral. Mas como antes já dissera Capistrano de Abreu:

"Nada devemos aos espanhóis, nada influíram sobre nossa vida primitiva; prendem-se muito menos a nossa história do que os franceses.... ....sociologicamente, os descobridores do Brasil foram os portugueses."