No ano de 1590, estabeleceram-se na Grande-Serra franceses originários do Maranhão, firmando suas bases junto às principais lideranças dos Tabajara. Esses franceses, em número de 16 milicianos, tinham no comando o seu compatriota de nome Adolf Montbille. Lideravam os nativos o Índio Jurupariaçu e o irmão de nome Irapuã (mel-redondo).


Mesmo sem se conhecer, em profundidade, dos objetivos dessa projeção gaulesa, sabe-se que nas testadas norte da Grande-Serra existia ouro em abundância (Mina da Pedra Verde). Seria, então, esse o móvel da aventura. De qualquer modo, essa presença francesa junto aos seus aliados Tabajaras estimularia o plano de colonização, atraindo de outras procedências novos agregados. Transformou-se o reduto em verdadeira cidade, contendo cerca de 12 mil indivíduos e a desenvolver diversos misteres. Até rabinos, calvinistas e católicos se confundiam em suas batalhas de pregação. Deu-se ao lugar certo perfil urbano, com alinhamento de casebres e ruas, dentre estas a Rua de Paris, local de tavolagem, embriaguez e desordens ou réplica da vadiagem parisiense e Rua da Pedra Lipse, antro prostibular da "cidade". A denominação da rua tem origem no conceito popular segundo o qual se associa, a certas doenças venéreas, a emprego desse brutal medicamento na cura dos engalicados.
A comunicação com o litoral no tocante aos índices culturais, de aproveitamento e distribuição dos bens nativos e regionais, criou-se o sistema de postas, ligando o planalto serrano ao litoral. Dois pares de Índios eram colocados em espaços de légua em légua, um que descia em busca da praia e outro que retornava. A dupla praiana conduzia nas costas o peixe, o sal e quinquilharias do agrado nativo. A dupla serrana conduzia gêneros alimentícios e frutas. Por ocasião do encontro de cada par, dava-se a troca de produtos, de sorte que ao final de cada jornada não faltavam bens comestíveis de uma ou de outra região.

Expulsão dos Franceses - Esse tipo de civilização perdurou por espaço de 14 anos, quando Pero Coelho. Em janeiro de 1604 e em data que a História não registra, montou seu acampamento ao sopé da montanha, banda leste e a medir cerca de dois quilômetros dos alojamentos franceses. Pero Coelho fazia-se acompanhar de aproximadamente cinco mil indivíduos, entre militares, índios válidos, velhos, mulheres e crianças. Mandou tocar a corneta mincha, notificando a se rederem os ocupantes do reduto, porém estes não concordaram. Deu-se o confronto. Do lado de baixo estrondeavam os morteiros. De cima os céus se enegreciam cruzados de flechas. Ao cabo de seis meses, em que baixas se registraram em ambas as facções, triunfou a supremacia lusa. 10 franceses foram aprisionados e levados para Pernambuco, onde deveriam tomar novos destinos. Quanto aos líderes indígenas, estes foram submetidos e levados a juramento de fidelidade ao monarca português, perdendo dos seus domínios a soberania.