A França Antártica

 

Um dos mais importantes episódios de nossa história, vilmente legada a segundo plano. É o momento de se perceber o quão mal contata é a história do Brasil. Falam-nos somente de 2 investidas francesas, a França Equinocial e Antártica. Quando a luta que se ascendeu se extendeu por todo longo da costa infestada pelos franceses que antecederam aos portugueses no Brasil, sendo os franco senhores de toda àquela costa, e que forçou o início da colonização portuguesa no Brasil. E ainda antes do final do Séc. XVI não se sabe se o Brasil  seria francês ou português. A presença francesa, também fomentou o surgimento da nação brasileira em oposição ao estrangeiro, em que se explica essa precocidade nacional tal, que é a primeira nação feita das Américas. E faz dos brasileiros, a mais antiga nação americana.

Antes de Villegaignon, os franceses a muito já freqüentavam e mantinham comércio com os Tamoios na baía de Guanabara, com alianças de sangue entre gauleses e tamoios. Relatam-se a existência de numerosos mestiços(caboclos aloirados) dessas relações.

Os franceses, decidem estabelecerem uma colônia no Rio de Janeiro. E em 15 de novembro de 1555, a expedição de 600 pessoas entre homens e mulheres, aportam e se estabelecem na ilha de Serigipe(atual Villegaignon), onde edificaram o Forte Coligny. Os membros eram principalmente bretões e normandos, divididos entre católicos e protestantes. Em 7 de março de 1556, chega uma segunda expedição em 3 navios com 190 homens. 

Sob o comando do Governador Mem de Sá, parte de Ubatuba uma expedição de 120 portugueses e 1.000 indios, para expulsar os invasores franceses. Em 16 março de 1560, após dois dias e duas noites, destroem a colônia francesa. 70 franceses sobreviventes e  800 aliados indígenas, se refugiam no continente.

Os franceses indispõem e animam os Tamoios contra os portugueses escravistas. E Villegaignon, firma uma aliança com os Tamoios, cerca de 80 mil, a célebre Confederação dos Tamoios, que ameaçou varrer a presença portuguesa do sul do Brasil. Liderados pelo terrível chefe indígena Cunhambebe, nunca derrotado em batalha, e segundo relatam comeu das carnes de 5.000 perós(portugueses). As forças enviadas de Salvador por  Mem de Sá, são rechaçadas. É quando intervém Nóbrega e Anchieta, que são aprisionados pelos Tamoios, mas, ao final conseguem celebrar um armistirsio, em troca da libertação de alguns índios escravizados. Com a unidade da colônia correndo perigo, Mem de Sá mandou vir do reino seu sobrinho Estácio de Sá e o incumbiu de adotar a mesma estratégia dos franceses: arregimentar apoio indígena.  

De passagem pelo Espírito Santo, Estácio costurou um acordo com o chefe Araribóia. Seu povo, reduzido a 8 mil índios, fora expulso para o Norte pelos tamoios e andava sedento de vingança. Em 1565, o líder branco e o morubixaba alcançaram o seu destino e fundavam a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Araribóia não tardou a justificar seu nome, cujo o significado é Cobra Feroz. Empenhado numa guerra dupla, a dos portugueses contra os franceses e a dos temiminós contra os tamoios, deu cabo dos inimigos em violentíssimas batalhas sob o Pão de Açúcar

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Estavam os portugueses estabelecidos no morro cara-de-cão, uma ilhota defronte ao Pão de Açúcar(chamado pelos franceses de pote de manteiga) não era o melhor lugar para o estabelecimento, mas, o possível n´aquelas condições. Quando vem ao seu ataque 180 canoas de guerra Franco-Tamoias. Cada canoa transportando até 45 guerreiros. Estácio de Sá com 30 canoas foram lhes dar combate desigual. Foi a chamada Batalha das Canoas, ao final “estava a praia juncada de cadáveres” é o testemunho de Nóbrega, tal a mortandade da batalha. Os Portugueses aliado aos valentes Temiminós sairam vitoriosos.  A vitória milagrosa foi atribuída a São Sebastião, pois viram-no pulando de canoa em canoa, combatendo e apavorando seus inimigos.

O confronto mais violento ocorreu na Batalha de Uruçumirim(atual flamengo), 12 mil combatentes, 180 canoas de guerra. Nessa batalha, Estácio de Sá é ferido de morte por uma flechada no rosto e morre alguns dias depois. Arariboia se destaca na batalha, de ante de um alto morro de pedra maciça, no qual um ser humano normal teria grandes dificuldades para escalá-lo, Araribóia com uma coragem fora do normal escala o penhasco do lado não visto do inimigo e com uma tocha acessa, presa nos dentes e atingindo o alto, arremessa a tocha contra o paiol de pólvora que explode deixando os franceses em pavor tão grande que fogem, e assim abre caminho para o ataque. O ataque derradeiro, seguiu-se em uma matança noturna. O vitorioso Araribóia amanheceu banhado de sangue francês e tamoio. As cabeças de Aimberê e outros líderes Tamoios, são fincadas em estacas.

Mesmo diante da grande derrota sofrida, os franceses ainda enviam regularmente a suas naus a Cabo Frio(adjacências do RJ) e uns e outros ainda afrontaram os portugueses no Rio, tão fortes ainda se sentiam. É quando enviam 8 naus e se dar o combate de São Lourenço, em que a tática de Araribóia conseguiu bater Tamoios e Franceses.   Em 1587 eles ainda animavam seus fiés aliados. Foi quando com o novo governador Salema, se dá o aniquilamento da grande nação tamoia. Mas, registre-se para o bem da verdade, falam em extermínio dos Tamoios, não houve extermínio. Muitos foram escravizados e o cativeiro não significa extermínio. Mesmo depois de 10 anos de serviços prestados esses índios eram postos em liberdade, e já plenamente integrados a vida da colônia.  

No fim do Séc. XVI, o sul estava definitivamente ganho aos franceses, mas pra lá de Itamaracá, a luta durará ainda muitos anos.