A Insurreição Pernambucana

 

A Holanda não respeita a trégua; ao contrário, amplia seus domínios, conquistando inclusive Sergipe e o Maranhão (1641).

E é no Maranhão que se inicia a reação, após 27 meses de ocupação holandesa, o suficiente para deixarem a cidade destruída, igrejas saqueadas e fazendas incendiadas. A própria população toma a iniciativa e escorraça as forças batavas de São Luís, degolam os holandeses, meses de guerrilha, a que não põe termo nem a violência que expulsa as mulheres nuas para fora dos burgos, mandam homens aos índios do Ceará que os comem ou aos ingleses de Barbados como escravos.

O êxito dos patriotas maranhenses, animam os pernambucanos, E em 3 de agosto de 1645, travou-se a batalha de Monte das Tabocas, que consagrou a viabilidade militar de vitória dos brasileiros contra os holandeses. 1.200 civis pernambucanos armados apenas de chuços e paus tostados e 250 armas de fogo, infligem fragorosa derrota ao Tenente Coronel Hendrick Van Hans, que comandava 1.900 homens todos muito bem armados.

Em seguida a 17 de agosto de 1645, dár-se a batalha da Casa-Forte, vencida pelos brasileiros que culminou com o aprisionamento do Tenente Coronel Hendrick Van Hans, então, comandante-em-chefe dos holandeses

É erguido o Arraial Novo, e em junho de 1646, os brasileiros cercam Recife, e a situação da praça torna-se angustiosa e insustentável. Foi estabelecido racionamento severo para enfrentar a fome com todos os seus horrores. A penúria era tamanha, que atingiu as pessoas mais influentes. Consumiram-se ratos, cães e gatos. Quando a praça estava prestes a capitular chegam da Europa víveres e reforços.

A 24 de abril de 1646, ocorrera em Tejucopapo, próximo a Goiana,belo e comovente episódio, no qual mulheres e jovens imberbes enfrentaram e venceram uma tropa do invasor com determinação e bravura.

A 12 de agosto de 1647, a Holanda exige que Portugal puna os rebeldes brasileiros, então, D. João IV decidiu mandar restituir o que os patriotas haviam tomado no Brasil. É quando André Vidal de Negreiros em resposta diz: :" Combateremos até o fim, e somente após expulsar o invasor, iremos a Portugal receber o castigo pela nossa desobediência.".

 A 18 de março, poderosa esquadra holandesa da Companhia da Índias Ocidentais aportou em Recife, sendo composta por 41 barcos, transportando víveres e 6.000 soldados.

Com este poderio, o invasor decidiu romper o cerco do Recife e marchar na direção sul, zona de retaguarda patriota, para conquistar o Cabo e adjacências. Manobra com a finalidade de controlar bases de suprimentos próximas e , cortar, nesta região ,o apoio externo aos patriotas bem como criar condições de prosseguimento ,por terra, para conquista da Bahia. Ao executar esse ambicioso plano ocorreu a primeira batalha dos Guararapes.

Em 19 de abril de 1648, no cume dos montes Guararapes se defrontaram as forças holandesas compostas por 6.300 homens contra 2.200 brasileiros. Obtendo os brasileiros maiúscula vitória sobre as forças batavas. Ao final entre mortos e feridos foram 1.038 holandeses, e 480 brasileiros.

Lopes Santiago - uma possível testemunha ocular dos acontecimentos - diz bem dos danos causados aos flamengos: " (...) retirando-se por eles abaixo, seguindo-se os nossos com as valorosas espadas com talhos e estouradas, cortando pernas, braços, cabeças, uns matando, outros ferindo encarniçadamente, ficando pelo campo corpos sem braços, troncos sem cabeças (...) com a espada na mão por meio dos esquadrões, rompe os inimigos apinhados, dando golpes a uns e a outros morte , mostrando a espada tinta de sangue, esquecendo-se de qualquer perigo". "Aqui estavam uns clamando e implorando com humildes rogos misericórdia aos vencedores, ali se ouvia a turba multa dos que pediam bom quartel, em outra parte, em seu idioma mal articulado com as ânsias da morte, queixavam-se de sua adversa fortuna, e muitos dentro os mortos, fingindo-se que o estavam, queriam ainda dilatar a breve vida. Finalmente, infinitos precipitados, bem desejavam naquele apertado passo, outras asas de Ícaro e Dédalo, para voarem e não se fazerem pedaços naqueles precipícios e penhasco, correndo copiosa inundação de sangue por todos aqueles montes que era um espetáculo admirável".

A 17 de fevereiro de 1649, 3.650 holandeses ao comando do coronel Brinck decidiram deixar Recife e ocupar os Montes Guararapes. Dali esperavam atrair os brasileiros, com seus 2.640 homens, para uma batalha decisiva. Após uma marcha forçada, estacionaram nos Guararapes, numa cópia da manobra usada pelos patriotas na primeira batalha. Mais uma vez os patriotas, inferiores em número, derrotaram esmagadoramente os soldados de um dos melhores exércitos da Europa. Dessa vez são mortos 1.095 inimigos, dos quais 173 oficiais e suboficiais. Netscher, historiador holandês dirá - Poucas batalhas terão sido tão mortíferas.

No dia 26 de janeiro de 1654, na Campina do Taborda, fronteira ao Forte de Cinco Pontas, os holandeses assinaram a rendição de todas as suas forças no Brasil. A guerra de 30 anos do Brasil chegara ao seu ao final. Southey, que não se cansa de, nos pernambucanos, admirar e louvar o valor patriótico, depois de decantar feitos, e celebrar nomes e sítios gloriosos, confessa-se insuficiente: “Mutiplicam-se de tal sorte os heróis, que é difícil citar os nomes de todos...”.