Em
1638, vem uma segunda expedição, ainda mais poderosa do que a primeira. Já
estabelecidos em Pernambuco, os holandeses tornam a Bahia, contando com 30
navios e 5.000 homens.
As
fortalezas, sob responsabilidade de oficiais portugueses – as de S. Filipe, S.
Bartolomeu e Monserrate, são abandonadas, ou rendem-se sem esquentar os canhões;
e vai assim o caso, até que o povo exige que a cidade seja defendida: intervêm
os tremendos guerrilheiros veteranos de Pernambuco; morre o temível alagoano,
Sebastião Souto; mas o próprio príncipe Nassau, tem de aceitar a derrota, com
a perda de 2.000 dos seus, e de reduzir o despeito a crueldades inúteis sobre
os indefesos habitantes do Recôncavo.
Atacada
ainda, pelo mesmo príncipe, a Bahia teria sido despojada, se ele não tivesse
defrontado, ali, com aquele terrível pernambucano, Luiz Barbalho, o invunerável
que, baldo de recursos, tenazmente perseguido pelas melhores forças do holandês,
bateu-as sempre, e escapou ileso, para espera-lo nas colinas da Bahia, e
arrancar-lhe da boca o pedaço apetecido.

Foi na memorável Batalha de Salvador, ocorrida em maio de 1638. Ante a aproximação na Baia de Todos os Santos da força holandesa de 5.000 homens e 30 navios — comandada pelo príncipe Maurício de Nassau —, Barbalho conduziu, em tempo reduzido, a construção de um forte, que hoje ostenta o seu nome, à frente de 1.000 homens. A luta que se seguiu transformou-se em verdadeira carnificina, haja vista a pequena distância entre os contendores e o incessante bombardeio da tropa invasora. No auge da peleja, o bravo capitão arremeteu de surpresa sobre a retaguarda do inimigo, matando 2.000 holandeses, obrigando-os a retirar-se precipitadamente.
O
Senado da Câmara da Bahia, “reconhecendo que, abaixo de Deus, a vitória se
devia em grande parte às tropas pernambucanas, oferecelhe o donativo de mil e
duzentos cruzados”. Eram tropas fatigadíssimas, após retiradas penosas, sem
que, nunca, se deixassem vencer.