A Conquista das Missões
O
Rio Grande de São Pedro de 1777-1801 atravessou um período de paz e grande
progresso, mas de inconformismo com o Tratado de São Ildefonso de 1777 – um
retrocesso.
Em 1801 a Espanha invadiu Portugal e conquistou Olivença. Foi o pretexto para recobrar as terras que os brasileiros julgavam suas. A guerra seria sustentada com recursos humanos e materiais fornecidos pela iniciativa dos próprios brasileiros sem qualquer auxílio externo de Portugal
Na
Fronteira do Rio Grande , sob a liderança do Cel Manoel Marques de Souza, e no
comando da Legião de Cavalaria da Fronteira de Rio Grande, criada em 1776 ,ao
comando de então Coronel Rafael Pinto Bandeira invadiu o contestado território
ao Sul do rio Piratini e levou nossa fronteira até o rio Jaguarão ,depois de
neutralizar as guardas espanholas
de São José, Santa Rosa, Quilombo e da Lagoa.
Data
daí a fundação de Jaguarão com o estabelecimento ali de uma Guarda Militar
ao comando do Major Vasco Pinto Bandeira.
Na
Fronteira do Rio Pardo, ao comando do Cel Patrício Correia da Câmara, a frente
de seus Dragões do Rio Grande, baseados no Rio Pardo expulsou os espanhóis de
Batovi (a primitiva São Gabriel) e de Santa Tecla para onde haviam retornado e
da Guarda São Sebastião, na Coxilha São Sebastião. Ao oeste Patrício colou
a fronteira no rio Santa Maria, como previra o Tratado de Madrid.
A
partir de Santa Maria atual, 40 dragões e aventureiros, sob a orientação do
Cel Patrício ,em Rio Pardo, conquistaram sucessivamente a guarda espanhola de São
Martinho e os Sete Povos das Missões que foram incorporados pela força das
armas.
Seguiu-se
a conquista do atual município de Santa Vitória do Palmar, a partir dos
arroios Taim e Albardão, fronteira de fato. Conquista feita pelo Capitão de
Milícias Simão Soares da Silva e pelo Tenente de Dragões José Antunes de
Porciúncula, à frente de 100 milicianos e 36 Dragões do Rio Pardo. Eles
atacaram, de surpresa, as guardas do Chuí e de São Miguel, que retraíram para
o forte de Cerro Largo.
Em face desses ataques, os castelhanos reagiram a partir do forte Cerro Largo, ao comando do Marquês de Sobremonte, governador de Buenos Aires.
Um
contingente da fronteira do Rio Grande chocou-se com outro espanhol lançado de
Cerro Largo na direção do passo Nossa Senhora da Conceição do rio Jaguarão
(atual Centurión), travando-se o combate do Passo dasPerdizes, em 17 de
outubro. Essa manobra espanhola foi diversionária, pois cobriu o lançamento de
Cerro Largo, em socorro das Missões, do Tenente Coronel José Ignácio de La
Quintana, com cerca de 600 homens. A Fronteira do Rio Pardo reagiu, enviando 300
Dragões do Rio Pardo, que conquistaram São Borja, após violento combate. Em
seguida, esses mesmos Dragões acompanharam a coluna Quintana e ofereceram-lhe
tenaz resistência em São Gabriel e Rosário do Sul (atuais), obrigando sua
retirada para Cerro Largo.
A
vitória brasileira foi decidida no passo N.S. da Conceição do Jaguarão
(atual Passo Centurion), com a retirada ,em 13 dez , da tropa de Espanha para o
forte de Cerro Largo.
Comando
Militar do Rio Grande decidiu conquistar a base de operações castelhana, o
forte de Cerro Largo, aproveitando a ausência da Coluna Quintana.
Neste ínterim, o governador de
Buenos Aires mobilizou recursos para socorrer o ameaçado forte de Cerro Largo.
Com
a morte do governador Veiga Cabral, assumiu o Comando Militar e o Governo do Rio
Grande o Brigadeiro Francisco Roscio. Imediatamente, Roscio ordenou uma
concentração de todas as forças do Rio Grande no passo Nossa Senhora da
Conceição do Jaguarão, face à concentração espanhola no forte Cerro Largo.
Sobremonte cerrou as forças em 30 de novembro. A concentração brasileira ali
foi reforçada, em 5 de dezembro, com 500 homens transferidos do Taim e Albardão,
aprofundamentos das defesas do Chuí e São Miguel.
Neste
mesmo dia, o comandante castelhano mandou um ultimatum ao heróico
Coronel Manuel Marquês de Souza (comandante da Fronteira do Rio Grande),
dando-lhe 24 horas para evacuar a região. Marquês de Souza respondeu-lhe
negativamente.
A
Fronteira do Rio Grande foi reforçada pela Fronteira do Rio Pardo, no dia 10,
com a chegada do Coronel Patrício Correia Câmara, à frente de 400 Dragões,
milicianos e voluntários.
Em
13 de dezembro, o Marquês de Sobremonte ordenou a retirada de suas tropas para
o forte do Cerro Largo, consciente da superioridade brasileira e do perigo que
corria de ser batido em campo raso.
No dia 17, foi publicada no Rio Grande a paz entre a Espanha e Portugal. O Coronel Patrício retornou ao Rio Pardo em razão da suspeita, não confirmada, de que outra coluna Quintana fora lançada na direção dos Setes Povos para reconquistá-los. Em Porto Alegre, em condições de reforçar as tropas do Rio Grande, encontrava-se o Regimento Extemoz.
Em 17 dez 1801 foi conhecida a paz na Europa, onde a Espanha não devolveu Olivença e as Missões ficaram com o Brasil.