Revolução de 1817

O Brasil se levantou no brio de Pernambuco, que só foi dominado porque foi generoso. No primeiro momento, os de dezessete desenvolveram um vigor que levou de rastros todo o aparelho oficial português, deixando bem patente a grande torpeza que ele era. Só foram vencidos, os revolucionários pernambucanos, por que, existindo aqui todos os recursos da metrópole (com a vantagem de só empregar perfídias e infâmias), esta se achava em situação de hedionda superioridade. Era luta desigual: do apóstolo e o sicário, o punho e a algema... Ergueram-se, os pernambucanos, em valor humano e coragem leal, contra o negreiro degenerado, aqui reduzido a feitor covarde e implacável. E os idealistas os trataram como a homens iguais, e os chamaram de irmãos!.... Foi a fraqueza essencial, em que foram abatidos, executados por sentença daqueles mesmos a quem tinham generosamente perdoado e protegido.

A Revolução Pernambucana de 1817 foi uma revolução pela independência, popular, liberal e radical, composta por alguns setores da aristocracia agrária brasileira “Liberais-radicais” , que desejavam uma independência autentica, liberal e republicana. Os mais entusiastas planejavam ir a ilha de Santa Helena onde Napoleão estava exilado e resgata-lo para faze-lo general da Revolução.

As causas do movimento se explicam pelo período de retração econômica ocasionada pela baixa do preço do açúcar e pela brusca supressão das exportações de algodão, conseqüência dos acordos com a Inglaterra. Também as operações no rio da Prata e na Guiana impunham a cobrança de novos impostos sobre as receitas alfandegárias, a fim de custear as despesas de guerra. Alem da captação de recursos destinados a manutenção da Corte no Rio de Janeiro. Para citar um exemplo, Recife pagava um imposto mensal destinado a iluminação publica do Rio de Janeiro. A tudo isso emerge as antigas diferenças entre os brasileiros e Reinós que gozavam de favorecimentos comerciais  em detrimento dos brasileiros.

O movimento revolucionário em Pernambuco irrompeu a 6 de marco, quando as tropas luso-brasileiras já haviam ocupado Montevidéu (20 de janeiro). Sob orientação clerical, o movimento deveria ter inicio no domingo da Páscoa, comemorando-se a ressurreição de Cristo com a da Pátria. No entanto, uma rixa de quartel, que culminou com o assassinato de dois oficiais superiores, ambos portugueses, antecipou a deflagração. A Republica Pernambucana não teria duração maior do que 75 dias. O conde dos Arcos enviou duas expedições militares a Pernambuco, uma naval e outra terrestre, “com uma presteza que não era de esperar na índole portuguesa”, segundo o relatório do cônsul Maler ao governo francês. Pelos seus cálculos, concentraram-se em Pernambuco 8 mil homens para debelar a revolução, que teve no padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro o seu grande Herói.

Com uma espingarda e um saco contendo o arquivo da republica aos ombros, o padre João Ribeiro acompanhou descalço, a retirada do exercito rebelde ate o engenho paulista, onde foi decidido a dispersão. Dirigiu-se em seguida a igreja e ali queimou os papeis que poderiam comprometer os seus companheiros, suicidando-se em seguida junto ao altar-mor. Remetidos para Bahia, foram executados Domingos Jose Martins, Jose Luis de Mendonça e o padre Miguelino. No Recife tiveram o mesmo fim. Antonio Henriques, Domingos Teotônio Jorge, Jose de Barros Lima (O Leão Coroado) e o padre Pedro de Sousa Tenorio e os da Paraíba: Jose Peregrino de Carvalho, Amaro Gomes da Silva Coutinho, Francisco Jose da Silveira, Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão e o padre Antonio Pereira de Albuquerque. A cabeça do padre João Ribeiro, decepada, foi exposta no pelourinho da cidade irredenta.