TRABALHISMO BRASILEIRO

 

Em 29 de novembro de 1946, em um comício do PTB realizado em Porto Alegre. Vargas Atribuiu sua queda aos:

"agentes da fianança internacional, que pretende manter o nosso país na situação de simples colônia, exportadora de matérias-primas e compradora de mercadorias industrializadas no exterior".

Proclamou a existência de duas espécies de democracia:

“A velha democracia liberal e capitalista (...), em franco declínio porque tem seu fundamento na desigualdade" e a "democracia socialista, a democracia dos trabalhadores. A esta eu me filio. Por ela combaterei em benefício da coletividade.".

No Brasil, disse Vargas, imperava a democracia capitalista:

"comodamente instalada na vida, que não sente a desgraça dos que sofrem e não percebem, às vezes, nem mesmo o indispensável para viver. Essa democracia facilita o ambiente propício para a criação dos trustes e monopólios, das negociatas e do câmbio negro, que exploram a miséria do povo (...). Essa espécie de democracia é como uma velha árvore coberta de musgos e folhas secas. O povo um dia pode sacudi-la com o vendaval de sua cólera (...). Tendo que optar entre os poderosos e os humildes, preferi os últimos"

Getúlio tinha em vista a extensão das leis trabalhistas ao campo, o que significava:

"manter e ampliar as conquistas alcançadas pacificamente, sem o apelo à luta de classes, em favor dos que trabalham e produzem".

Mais do que a recusa da luta de classes, pregou a colaboração de classe:

"O capital e o trabalho não são adversários e sim forças que se devem unir para o bem comum" (Recife, 27 de agosto).

Entretanto, seria necessário superar o liberalismo clássico:

"O que existe, defendida intransigentemente pelos velhos partidos, com novos rótulos, é a democracia política, baseada em leis que lhe asseguram, o gozo de privilégios para oprimir e explorar o trabalho alheio. O trabalhismo brasileiro surgiu, assim, como uma afirmação contra a máquina montada em nome da liberdade política, com sacrifício da igualdade social" (São Paulo, 10 de agosto)."

No mesmo discurso feito em São Paulo, Vargas descreveu o que seria, então, a democracia socialista que se viabilizaria através do Trabalhismo:

Uma democracia

"que se define na prática efetiva do bem comum, na conciliação humana entre o capital e o trabalho, no amparo aos que lutam pela vida, na assistência à saúde e ao bem-estar do povo, sob todos os seus aspectos, na socialização dos benefícios que a civilização trouxe ao mundo e - principalmente - na conservação do nosso estilo de vida, que é o da fraternidade, pela máxima cristã do amai-vos uns aos outros".

Tocou, entretanto, num ponto sensível: "O direito da propriedade da terra ficará, assim, subordinado ao bem -estar e ao progresso social."

Ou seja, Vargas já condicionava o direito a propriedade a sua função social.

A Democracia socialista, insista-se, nada teria a ver com luta de classes:

"Nem a ditadura do proletariado, nem a ditadura das elites. O que a sociedade moderna aspira é o trabalhismo, ou seja, a harmonia entre as ela classes, a democracia com base no trabalho e no bem-estar do povo" (Araçatuba, SP, 12 de setembro). 

Prega então o Trabalhismo como meio de se alcançar a Democracia Socialista:

E "a ação trabalhista poderá ser a meia-estação entre o capitalismo e o socialismo" (Porto Alegre, 9 de agosto).

“O Partido Trabalhista Brasileiro é uma força orgânica e construtiva, a serviço dos legítimos interesses do povo. Nele não cabem nem pendores extremistas, nem inclinações reacionárias. Sua finalidade não é dividir, mas harmonizar, pois não visa à revolução social e sim à paz e à harmonia da coletividade, dentro de uma concepção mais justa e mais humana dos direitos do indivíduo" (Carazinho, RS, 21 de setembro).

"Tenho 67 anos e pouco me resta da vida. Quero consagrar esse tempo ao serviço do povo e do Brasil. Quero, ao morrer, deixar um nome digno e respeitado. Não me interessa levar para o túmulo uma renegada memória. Procurarei, por isso mesmo, desmanchar alguns erros de minha administração e empenhar-me-ei a fundo em fazer um governo eminentemente nacionalista. O Brasil ainda não conquistou a sua independência econômica e, nesse sentido, farei tudo para consegui-lo. Cuidarei de valorizar o café, de resolver o problema da eletricidade e, sobretudo, de atacar a exploração das forças internacionais. Elas poderão, ainda, arrancar-nos alguma coisa, mas com muita dificuldade. Por isso mesmo, serei combatido sem tréguas. Eles, os grupos internacionais, não me atacarão de frente, porque não se arriscam a ferir os sentimentos de honra e civismo de nosso povo. Usarão outra tática, mais eficaz. Unir-se-ão com os descontentes daqui de dentro, os eternos inimigos do povo humilde, os que não desejam a valorização do homem assalariado, nem as leis trabalhistas, menos ainda a legislação sobre os lucros extraordinários. Subvencionarão brasileiros inescrupulosos, seduzirão ingênuos inocentes. E, em nome de um falso Idealismo e de uma falsa moralização, dizendo atacar sórdido ambiente corrupto que eles mesmos, de longa data, vêm criando, procurarão, atingindo minha pessoa e o meu governo, evitar a libertação nacional. Terei de lutar. Se não me matarem....” – Getúlio Dornelles Vargas.